quinta-feira, junho 08, 2006

brisa

São Paulo nunca pareceu tão solitária pra mim
Nesse dias eu volto a pensar no que me trouxe pra esse lugar
Desde quando deixei as montanhas que cercavam meu antigo lar
Nunca mais senti a brisa do Vale me tocar

Decidi fugir porque tanta beleza me fazia lembrar
De um amor que perdi por causa daquele lugar
Ela dizia “meu bem aqui não há futuro pra mim
Além daquelas montanhas é pra onde devo ir”

Meu coração se encheu de rancor
O Vale me prendia com sua beleza, mas não prendeu o meu amor
Ela estava tão bela e viva quando partiu naquele avião
E disse “que a brisa do Vale console seu coração”

Minha cabeça estava feita quando voltei para o meu lar
Disse “mãe vim juntar minhas coisas pois aqui não quero ficar”
Mantive os olhos na estrada pra não desistir
A brisa do Vale não trazia mais alívio pra mim

Desse dia em diante São Paulo era meu lugar
A cidade anda rápido demais não dá tempo pra pensar
Logo arrumei um emprego numa loja de sapatos
Troquei a vista das montanhas por um monte de pés descalços

Aprendi a amar essa cidade porque ela foi boa pra mim
Gostava dos prédios das praças dos parques e jardins
Quando achava que minhas lembranças finalmente iriam me deixar
A brisa do Vale voltou pra me assombrar

Lembrei de como era bom olhar as montanhas e sentir o tempo devagar
Ver o sol deitar no horizonte e as estrelas tomarem seu lugar
Finalmente percebi o que o rancor havia tirado de mim
Perdi todas as coisas que me faziam feliz

Hoje eu volto pela mesma estrada que me trouxe até aqui
Lembrei do dia em vi o meu amor partir
Talvez meus olhos nunca a vejam voltar
Mas ao menos terei a brisa do Vale pra me consolar

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