segunda-feira, agosto 14, 2006

tragédia silenciosa

essa é a história da minha tragédia silenciosa
ela não precisa ter rima ela não precisa ser boa
ela é fria, crua e amarga como gosto de sangue fresco na minha boca
estou deitado na lona de um ringue sem oponentes
meus olhos estão inchados e perdi muitos dentes
os pensamentos simplesmente escapam da mente
a lua e as estrelas emolduraram a minha queda
a cidade toda brilhava enquanto eu desabava
as montanhas que durante o dia me consolavam
se esconderam atrás da cortina escura pra não verem o meu fracasso
em vez de cerrar os punhos abri os braços para o acaso
sem saber o que me aguardava, abaixei a guarda e abri o lado
o primeiro golpe tirou todo o ar dos meus pulmões intoxicados
eu queria fugir como um animal assustado, mas estava encurralado
descobri que meu amor havia me deixado, muito antes da despedida
eu pensava ter seu coração, mas era só um boneco de cera, sem vida
é por isso que eu dizia que a amava, mas ela nada respondia
quando tentava abraçar seu corpo não sentia o calor, era como madeira fria
mas era tão difícil admitir que preferi ficar com a hipocrisia
troquei o silencio sincero por palavras vazias, o choro pelo riso sem graça
transformei em piada a tragédia que se desenrolava
fiz isso por tantos dias que já não sabia mais o que eu queria
chorar com a realidade ou rir com a fastasia?
agora sei porque aquele olhar era tão opaco
meu romance é um fantasma sem corpo, alma e espírito
como a sobriedade que se perde no vinho
sou um viajante que perdeu seu caminho
encarar a verdade foi como a morte
todas as cenas do romance perdido passaram diante dos meu olhos, sem cortes
rápido como uma punhalada e intenso como a dor
morremos abraçados na praia daqueles que sofrem por amor
como eu pude te perder desse jeito? sufoquei o sentimento
como a mãe que adormece com o filho pequeno abraçado no peito
queria te fazer feliz mas tudo o que fiz foi roubar sua liberdade
cortei seus braços e pernas pra que você não andasse sozinha pela cidade
foi como tirar de um pássaro o sabor do vento e confina-lo em uma gaiola
a falta de espaço escondeu a beleza de suas asas, meu amor foi prisão e não casa
você precisou fugir pra sentir livre, admiti tarde demais o que eu havia perdido
antes que eu pudesse tentar te reconquistar, o fascínio de seus olhos já havia desaparecido
me entreguei aos prazeres como um libertino, ri com os loucos para não chorar sozinho
da ternura de seu toque me tornei indigno e nos braços de outras fui buscar carinho
assim como sei que fizeste mais que amigos no tempo em que eu não estava contigo
sei que sentes a culpa pela sua traição, mas não precisa atirar-se no chão em busca de perdão
pois na terra meu corpo jazia antes mesmo da ressaca que veio após a revelação
a verdade brilha forte como a luz do dia rompe a madrugada
não há motivos para desculpas, não há tempo para mais nada
o trem da sua felicidade está passando, você consegue ouvir ele apitando?
vá, corra não se preocupe comigo deixe que o futuro nos mostre o que está encondido
não há porque velarmos o corpo desse desconhecido já que tudo o que construimos está perdido
guardo de nós a imagem de uma grande bola de sabão, que nos protegia da muldidão
ainda posso sentir o disparar do seu coração e o suor gelado de minhas mãos
é essa a memória que quero guardar de ti e todas as outras lembranças que me fizeram feliz
porque toda tragédia é passageira e eu não quero fazer dessa uma excessão
que ela vá embora de nossas vidas e leve consigo toda mágoa e solidão
prefiro ser teu amigo, prefiro ser teu irmão, prefiro te deixar livre pra seguir seu coração

2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

consegui terminar...


meu deus!

1:11 AM  
Anonymous Anônimo disse...

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4:07 AM  

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