05:59 am
ela segura minha mão enquanto olho pro vazio, sinto a dança suave dos dedos sobre a pele, como a muito já havia esquecido, desisto de tentar conter as lágrimas que marcam o meu rosto, como um pecador arrependido. pelos cantos da janela o vento escapa e corta frio, congela um momento que eu jamais queria ter vivido, como uma fotografia esquecida em uma gaveta, a vida perde seu sentido. cometi o crime que tanto condeno, sou juiz e réu em um mesmo julgamento, presa minha alma sucumbe ao tormento. sou náufrago que se afoga diante da luz do farol, acreditei no milagre até o céu se fechar em temporal. felizes são os cínicos, que sorriem sem gostar e choram sem querer, que cobrem as cicatrizes com tatuagens de renna. eu podia tentar não desabar, eu podia tentar me esconder, mas prefiro a humilhação verdadeira do que a ilusão demente. se pudesse cravaria um punhal em meu peito, encerraria o poema do meu jeito, mas somente deus tem esse direito. avise o dono da felicidade que eu troco tudo o que tenho, por apenas um dia em que morte não ronde meu pensamento. felizes são os cínicos dizem pro espelho, como é linda a imagem que eles estão vendo, que guardam o nó na garganta e desatam apenas pro travesseiro. em quantas palavras eu posso dizer, que perdi a vontade de viver? o que eu preciso fazer pra me fazer entender? quantas mentiras eu preciso contar até que comecem a acreditar? felizes são cínicos que escrevem poemas suicídas e colocam o relógio pra despertar bem cedo, pra que eles possam fumar o primeiro cigarro do dia enquato vêem o sol nascendo. mas eu não tenho esse talento, tudo que sei é usar algumas palavras pra expressar meus sentimentos, as vezes perco a trilha dos meus próprios pensamentos e misturo no mesmo poema uma porção de argumentos. talvez eu não seja poeta, talvez eu não seja ninguém, talvez eu seja apenas um personagem que vive na cabeça de alguém.

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial