ainda é noite
deus obrigado porque ainda é noite, as luzes ainda piscam no alto das torres e o orvalho e a neblina ainda dormem. deus por favor poupe-me da luz dia, livra-me da ira e da solidão , faça-me adormecer antes que o sol lance seu clarão e apazigua meu coração. porque eu escolhi o lado mais escuro da estrada, meus ossos tremem e minha vista está embassada, de tanto andar a procura de um refúgio onde a brisa é fresca e o ar é puro, onde meus sonhos possam crescer e dar frutos e o amor é fruta madura no pé, e nunca apodrece. onde a amizade é sombra frondosa que nunca seca. faz sobre meus pés um tapete com todos os tipos de flores e que o aroma seja doce. porque eu preciso de uma paz que não se encontra em prateleiras, ou escondida em becos e beiras. permita-me simplesmente fechar os olhos e cair em um sono profundo, conhecer o descanso dos justos, ainda que eu seja impuro, indigno e intruso. não há outro alguém que possa me fazer limpo, sereno e tranquilo. não vejo ninguém a quem possa chamar de amigo, que possa me oferecer abrigo e cuidar das feridas dessa caminhada. tudo que eu vejo é a estrada, sem direção e sem mapa eu avanço diante do nada enquanto minhas forças escorrem como sangue de um ferimento aberto, preciso desesperadamente de um remédio que cure a febre da minha alma. não permita que o deserto seja minha casa e que as carniças sejam meu alimento, me ajude a atravessar enquanto ainda há tempo, antes que eu seja tragado pelo vento que corre na direção contrária dos seu braços, que a lua ilumine o caminho pra que eu possa encontrar os seus passos marcados na areia. alivia o peso do meu peito e coloca em meus lábios um sorriso perfeito, pois minha ambição foi maior que meu talento e hoje eu sou escravo dos meus desejos e já não domino meus pensamentos, sou folha seca ao sabor do vento, um cão vira-lata que dorme ao relento, revirando lixo em busca de alimento, prisioneiro em um pesadelo que me mantém sonhando acordado, entre ferpas e cacos de meu coração despedaçado. não há outro que possa aliviar o meu fardo. tu és o maestro da vida, por isso faça de mim uma sinfonia em tributo à sabedoria, um sopro de alegria que invade o dia e flui como brisa da manhã. deus obrigado porque ainda é noite e te encontrar é minha sina e minha sorte.

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial