sexta-feira, abril 27, 2007

quando o sol de põe


quando o sol se põe, os amigos são álibis
alguns têm algo pra conquistar
outros têm algo pra esconder
os solitários saem de suas casas vazias
e andam pelas ruas vazias
procurando pessoas solitárias
eles bebem, riem e choram
acordam sozinhos e perdem a hora
o amor esfria e a carne treme
o nariz escorre e o coração dispara
é tarde demais pra escolha errada
é cedo demais pra pessoa errada
eu, sou só o narrador
canto as histórias que a vida me contou
conto os dias pra lembrar o que já passou
se não sei quem eu sou, então o que sou?
alguém vai entender o que eu quero dizer?
alguém vai ligar pro que eu falar?
quando o sol se põe ninguém quer ouvir
eles querem sentir. eles podem mentir
aqui se pode tudo, quando o sol se põe
vale até se apertar em ambientes esfumaçados
observar a seleção natural seguindo seu traçado
eu prefiro ver as luzes pelo vidro do carro
quando o sol se põe, a beleza é intencional
e a verdade opcional e o medo vira fumaça
o que vale é ter alguém pra dividir a cama
ainda que não seja a sua, ainda que ela esteja suja
quando o sol se põe, os fortes vão dormir
quem tem sorte vai sonhar, mas os solitários
eles vão sempre pagar.
...
Vito Escoza

quinta-feira, abril 26, 2007

vida bandida




eu decidi começar a fazer as coisas sem pensar
porque de tanto tentar acertar
perdi a mira
eu decidi parar de discutir
porque de tanto falar
perdi as palavras
eu decidi parar de me lamentar
porque de tanto chorar
perdi a força
eu decidi parar de dizer sim
porque de tanto aceitar
fui rejeitado
eu decidi parar de jogar
porque de tanto perder
perdi a vontade
decidi fechar os olhos
porque de tanto olhar
perdi a visão
decidi parar de desejar
porque de tanto lamber os lábios
perdi o sabor
eu decidi parar de decidir
porque de tanto pensar
já não sei mais o que quero
...
Vito Escoza


puxe o freio de mão



puxe o freio de mão
puxe o freio de mão
meu irmão, puxe o freio de mão
do seu coração

não há mais motivo
pra ficar sozinho
não há tempo perdido
entre amigos

não tenha medo
dos seus pesadelos
amor, é só acordar

puxe o freio de mão
puxe o freio de mão
meu irmão, puxe o freio de mão
do seu coração

não jogue ao vento
os seus pensamentos
mas plante na terra
e deixe brotar

se o invento perfeito
ainda não foi feito
amor, você pode criar

puxe o freio de mão
puxe o freio de mão
meu irmão, puxe o freio de mão
do seu coração
...
Vito Escoza

quarta-feira, abril 25, 2007

O Errante


a morte não me deixa viver
a vida não me deixa dormir
o planeta não pára de girar
porque eu preciso parar?
o amor e o ódio são irmãos
que dividem o mesmo coração
como a lua e o sol
que dividem o mesmo céu
eu ando o caminho mais escuro
procuro a luz no fim da madurgada
mas quando ela me encontra
já não me resta mais nada
meus pulmões estão cheios de um ar carregado
quanto mais respiro
mais me sinto sufocado
talvez seja a hora de partir
pra outra cidade longe daqui
onde meu rosto não seja reconhecido
sem amores e sem amigos
preciso recuperar minha velha aura
aquela que se foi com a inocência
algo que me faça lembrar
o motivo de existir
tenho um tesouro dentro de mim
mas nessa terra ele não vale nada
todos foram seduzidos pelo brilho
de uma mentira dourada
ouço o som de uma multidão
correndo em direção ao abismo
eles não sabem pra onde vão
porque seus olhos estão vazios
o homem descobriu mil maneiras
pra se viver a vida
mas ele não descobriu a cura
pra mais profunda das feridas
a solidão é inevitável
pra cada um ela tem seu dia
já que não posso vence-la
tento fazer dela minha amiga
...
Vito Escoza

terça-feira, abril 24, 2007

a garrafa é minha, mas sirva-se a vontade


minha timidez, ela sempre foi maior
eu me acostumei a andar pela sombra
só deus sabe do que o ser humano é capaz
quando sofre de um conceito elevado a respeito de si
mas a vida dá voltas
um dia você ajunta os cacos
e no outro faz a festa então
me diz de quem é a vez de chorar
viu meu rosto na TV e agora vem me procurar
eu gosto de fazer amor à beira-mar
mas é claro que você não me conhece
cedo ou tarde cada um tem o que merece
esse teu nariz sujinho é o que te empobrece
um dia você vai desejar trocar
toda essa euforia por um pouco de tranquilidade
essa malandragem por um pouco de honestidade
seus contatos por amigos de verdade
a garrafa é minha, mas sirva-se a vontade
eu sempre fui anti-social
tive problemas com meu amigo imaginário
nem tudo são flores pra quem cultiva a solidão
fiz uma armadura de papel pra proteger esse fraco coração
mas a vida prega peças
num dia você é a salvação do rock
e no outro é só uma piada
então me diz de quem é a vez de ganhar
quem vai ser a próxima capa das revistas
quanto você está disposto a pagar
pra ser dono da sua própria alma?
só quem já viveu numa pior
sabe aproveitar o que a vida tem de melhor
a única coisa que eu tenho certeza
é de que ninguém é melhor do ninguém
ninguém é melhor do ninguém
eu disse que ninguém é melhor do que ninguém
um dia eu vou morrer e todos vocês também
...
Vito Escoza

segunda-feira, abril 23, 2007

poema da insônia


o tempo está sempre do meu lado

o tempo está sempre ao meu lado

ao lado está sempre o meu tempo

o meu tempo ao lado sempre está

ao lado do meu tempo está o sempre

sempre ao lado do tempo está o meu

meu tempo sempre ao lado está do

sempre do lado está o meu tempo

ao meu lado do tempo está o sempre

está sempre ao lado do meu tempo

meu lado do sempre ao tempo está

está o tempo sempre do meu lado

o tempo sempre ao meu lado está

está o tempo meu ao lado do sempre

meu sempre está ao lado do tempo
....
Vito Escoza

quinta-feira, abril 19, 2007

tentando dormir

eu gritei para os céus,
chorei com a cabeça enterrada no travesseiro
amaldiçoei a imagem no espelho e fui me deitar

dormi o sono dos injustos e sonhei o sonho dos indignos
você falava com os olhos cheios de amor, mas não era comigo
amaldiçoei o líquido da garrafa e fui me deitar

ao meio dia o sol me fez levantar
a luz cegou meus olhos
e eu me lembrei de onde estava e fui me deitar

minha mente era como um foguete a milhas de distância
de qualquer lugar, sem destido e sem hora pra voltar
abri os olhos, fui ao banheiro e voltei a me deitar

enterrei a cabeça so travesseiro e comecei a chorar
pensei comigo "esse poema é tão ruim que não vale a pena nem publicar"
fechei os olhos, cobri o rosto e voltei a sonhar

...

segunda-feira, abril 16, 2007

teste


...estamos de volta