segunda-feira, janeiro 15, 2007

briga de bar

parece que ele vive preso em uma briga de bar sabe como ninguém fazer uma garrafa voar. sente os olhos queimarem e sangue ferver, mas não sabe a quem odiar e nem o porque. ja amou uma vez a muito tempo atrás, quebrou todas promessas que fez. não consegue limpar todo sangue que tem nas mãos. é longo o caminho que leva à redenção. ele tenta escrever o que não consegue falar, mas sente nos dedos o mesmo nó que amarra a língua. é tão fácil julgar com uma pedra na mão, quem já cruzou seu caminho diz "esse homem não tem coração". não há um nome não há a quem chamar, mas quando olho no espelho ele está sempre lá. ele tem o meu rosto e a minha voz, mas ainda não sei quem esse homem é. as vezes ele se esconde atrás do nascer do sol pra chorar, a falta daqueles que se foram com a madrugada. em seu peito as marcas de uma vida vivida debaixo do sol, quem é que pode levantar o dedo e dizer que é pessoa normal. fora dos limites dessa cidade há um mundo cão pronto pra roubar a fé de todo homem bom. talvez se eu me esforçar até os ossos saltarem a pele eu tenha a chance de fazer uma última prece. se meu coração parar antes de amanhecer deixe o mar levar meu corpo e leve minha alma com você

texto: Vito Escoza

sexta-feira, janeiro 05, 2007

bloqueio

lá vou eu tentar escrever denovo, essa deve ser a décima vez que abro esse "caderno" e fico a encarar a tela branca na esperança de que alguma coisa mágica aconteça dentro da minha cabeça e eu comece a escrever como se nada mais houvesse pra ser feito. meus dedos travam diante do teclado, os pensamentos passam rápido demais pra capta-los nas palavras que formam músicas e poemas. inevitalvelmente esse bloqueio me fez refletir que não é só no papel que me sinto ausente de idéias, na tarefa de simplesente existir e andar sobre a terra eu também não tenho encontrado inspiração. me faltam idéias na cabeça e me sobram desencanto e desperdício do meu tempo e do tempo de outras pessoas. há um nó em minha alma que impede e circulação do amor em minha vida. pra piorar esse nó foi molhado pela chuvarada de lágrimas que o transformou em um caroço impossível de desatar. digo isso não porque elaborei uma figura pra demonstrar meus sentimentos, mas porque recolho as palavras que ainda me restam na cabeça, como uma grande bacia de pipocas na qual só restam os pequenos grãos de milho que não estouraram, mergulhados em sal enquanto alguém arrota satisfeito diante do balde vazio. pelo menos reconheço que meus pensamentos devem teve ter uma relevância maior do que o destino das pipocas, mas quem é que se satisfaz com essa vida? quem colheu o bom fruto das minhas grandes escolhas no tempo que passou? eu não vejo ninguém me chamando no alto da montanha ou aplausos e abraços. sinto na gagarganta o gosto amargo do vazio pois descobri que o amor é tão efêmero quanto todas as coisas passageiras desta vida. eu vejo pessoas o tempo todo carregando o fardo de um amor não correspondido, de um amor cobrado, de um amor perdido, um amor orgulhoso. não importa o que aconteça tenho sempre aquela sensação de que alguma coisa não está acontecendo como deveria. agora por exemplo, já nem sei mais sobre o que eu estava escrevendo e qual o sentido em continuar a escrever. dá a impressão que quando você conhece os caminhos para alterar seu estado de consciência, todo o resto tem a duração de uma dose. num momento de reflexão pensei "se minha vida fosse um bagulho, seria da pior qualidade". por mais que eu tente eu não consigo acrescentar nada de bom na vida das pessoas que importam alguma coisa pra mim. eu tenho uma garota, ou pelo menos costumava ter, e por ela jurei meu amor, minha atenção e meus dotes de bom amante. advinha só, nada do que eu planejei idealizei e desejei de bom aconteceu. quem já passou por isso sabe como é o choque de realidade quando você descobre que não é capaz de fazer a pessoa que você ama feliz, simplesmente porque não depende só de você. a verdade é que quando se está sofrendo patéticamente sozinho em um quarto escuro, não ajuda muito saber que tem mais gente vivendo na mesma miséria. por muitos dias tentei encontrar a fórmula de uma vida melhor e não a encontrei. de 2005 pra 2006 pensei; "deus esse vai ser meu ano", depois de 365 dias confesso que meu otimismo ficou um pouco abalado e a única coisa que consegui foi dar um gole numa cerveja de R$11,00 que estava quente. depois de uns 40 minutos lembrei que eu não havia me lembrado de fazer uma prece sequer durante a passagem para o novo ano, não troquei uma palavrinha com o criador do mundo, não agradeci pela saúde nem chorei de saudades de ninguém, não pedi dinheiro e muito menos disse que esse seria meu ano. um descuido egoísta que me reforça a idéia de que só ter olhos para o próprio sofrimento é algo tão pobre de espírito quando a indiferença. o lado bom de tudo isso é que eu não preciso olhar os outros pra entender as fraquezas do ser humano. eu vejo elas todos os dias diante do espelho me olhando nos olhos e esperando o momento de me levar pra baixo. uma hora e 43 linhas depois o mundo não mudou e nem eu.