quinta-feira, maio 24, 2007

café forte

- Talvez um café forte, pra mudar essa minha sorte. Ou quem sabe um chá, pra relaxar e melhorar o dia. Serenidade chamou meu nome, mas eu não ouvi. Estava ocupado demais. Na obrigação de olhar pra frente e no medo de ficar pra trás. Eu li uma história triste nas linhas do teu rosto. Dizem que pra apagar, recomeçar, só mesmo um amor novo. Mas eu posso me redimir, me aperfeiçoar na arte de fazer sentir-se bem. Mas se por acaso eu te ferir e te magoar, não me culpe porque eu tentei. Amanhã é só uma ilusão até a gente acordar e por os pés no chão. Você vai se cansar de procurar explicação para as coisas que acontecem sem nenhuma razão. De tanto tentar acertar eu perdi a mira, a verdade é uma mentira, feita pra te fazer acreditar que o mundo ainda é um bom lugar. Que o céu é azul e verde é o mar. Que um dia a gente pode se encontrar. mesmo que nós sejamos feitos pra errar. O mundo ainda é um bom lugar. Seja pra sorrir ou pra chorar. E que o sol espera por você, todos os dias pra te dizer que tudo vai ficar bem. Que tudo vai ficar bem, ainda que não haja ninguém.

terça-feira, maio 15, 2007

meu doce amor

- Meu doce amor, escute o que eu tenho a dizer porque quando a canção terminar não existe mais eu e você. Desde o último verão somos amantes, eu sei. Mas não consigo conter esse teu jeito errante de ser. Juras de amor com cheiro de vinho barato, não faz meu estilo de amar. Você me faltou com carinho. Eu te amei devagar, te dei um coração e um lar, mas em outras camas eu sei, tu preferiste deitar. Abro meu peito, feito passarinho te solto. Junto meus trapos e sigo este meu triste caminho. Não vá morrer com frio e sozinho. Entenda eu te quero tão bem, mas não te quero por perto. Te afasta da porta pois meu destino é certo. Não tente me prender nesses teus tristes versos. Quando amanhecer, se estiver chovendo, são os céus que lamentam pelo nosso rompimento. Preciso partir pra longe do seu violão, pois ele me lembra do tempo em que tudo era bom. Seu maior talento é sua maldição, passarinho que canta o amor e vadio sem coração.

domingo, maio 13, 2007

ao amigo insolente

- A banda parou de tocar e os corpos se espalham pelo sofá. E você? Onde está? Olha pela janela como se pudesse voar. Está cego ou não quer enxergar? Você está pronto pra parar? Eu posso rir com você, brindar e te servir. Posso te carregar quando começar a cair. Te abro os olhos e lavo seu rosto. Limpo sua sujeira e te faço de novo. Mas você sabe que eu não posso impedir o dia de nascer. Eu não posso impedir sua vontade de morrer. Todos os dias nós começamos sorrindo e acabamos sozinhos. A tua solidão eu sei de cor. Te vejo subir até te perder de vista. Do alto de sua cabeça entorpecida. Meu doce amigo suicída. Rindo como um louco e sofrendo como um tolo. Escravo dos efeitos de tão frágeis pretextos. Não, hoje eu não vou te acompanhar. Se não posso deter sua fúria, me abrigo nas palavras. Quando terminar sua aventura sem lembranças, minha porta estará aberta se quiser descansar. Sou teu amigo até o mundo acabar.

quarta-feira, maio 09, 2007

cinzas

Pra te alcançar eu pulei a janela, quebrei as regras e pisei no jardim. sem nem saber, fui exclúido do paraíso onde você está. e agora não sei se morto ou vivo existe um sentido pra tanto sofrer. canta minha alma quando se cansar de chorar. lava esse meu canto, pra nem o cheiro ficar. sua pele macia repousa em cinzas, na sala de estar. amanhã bem cedo, eu prometo te levo pra passear. do lado de dentro contenho o ímpeto de tanto pesar. as folhas avisam pra que lado o vento sopra. sopro você do alto das pedras na espuma e na névoa te vejo voar. no caminho de volta escolho a curva pra me atirar. eu fui excluído do paraíso onde você está.

segunda-feira, maio 07, 2007

beibe, beibe



Beibe, beibe esse nosso amor parece anfetamina. Quando passo a noite com você, só vou embora com a luz do dia. Você faz meu coração disparar e a minha pele começa a arder. Eu sinto a febre e o ranger dos dentes, quando estou com você. Preciso te beijar pra matar a sede que me mata de prazer. Seu beijo é tão doce que me dá vontade de morder. Eu quero mergulhar no eclipse dos teus olhos e ouvir o ritmo que embala o balanço dos nossos corpos. Não, eu não preciso descansar. Eu não preciso dormir, você tema dose certa pra me levantar, se eu começar a cair. Com a gente não há diferença entre sonho e realidade. Preferimos os pequenos excessos às grandes vontades. Ela me disse que se sente tão bem. Eu me sinto bem também. Então, porque você não vem? Beibe, beibe esse nosso amor parece anfetamina. Quando passo a noite com você, só vou embora com a luz do dia.

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Vito Escoza

sexta-feira, maio 04, 2007

a fórmula

Foi sem querer que eu me vi preso, nu e só em uma teia. de cabelos loiros, morenos. Pele clara e pela escura. Ah esse é meu fim, porque eu já me vi, perdido desse jeito antes. Mas agora eu sei, chegou a minha vez. A luz nunca esteve tão distante de mim.
Foi sem mais nem menos, perdi o medo e fui cantar pelas ruas. Em meu caderno de capa vermelha, levei as palavras à loucura. Ah esse é meu fim, porque eu perdi o meu caderno de poemas. E agora eu sei que mais ninguém, vai acreditar que eu descobri a fórmula do amor perfeito, aquele que enche o peito e ajuda o camarada a respirar. É a cura pra todo comportamente auto-destrutivo ou suicída.
O fato é que pra se perder, basta querer acertar o caminho de volta. A vontade de ter sempre mais é o buraco no bolso da calça. Eu paguei a consequência pela forma inconsequente que lidei com a fórmula. Melhor sorte tenha o próximo valente que tentar chegar enfim a uma resposta. A fórmula do amor perfeito, aquele que enche o peito e ajuda o camarada a respirar. É a cura pra todo comportamente auto-destrutivo ou suicída.

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Vito Escoza