sexta-feira, junho 12, 2009

Obrigado, são seus olhos




Meu Deus, mas que boa fase.
Alguém por favor me pare.
Eu não posso mais perder.
Há alguém mais inteligente?
Há alguém mais interessante?
Apareça e tente me vencer.

Eu sou o ser humano mais sincero do mundo.
Eu sou incapaz de partir seu coração.
Eu amo os animais, amo todos os humanos.
Eu sou incapaz de jogar lixo no chão.

Obrigado, são seus olhos.

Meu Deus eu sou um desastre.
Alguém por favor me mate.
Eu não quero mais viver.
Me sinto tão ignorante.
Todos me acham desisteressante.
Eu não quero mais viver.
Eu sou o ser humano mais cagado do mudo.
Eu chego atraso. Eu sou sempre o último.
Eu não aguendo ver meu rosto no espelho.
As garotas dizem que eu pareço um morcego.
Obrigado, são seus olhos.

quinta-feira, junho 11, 2009

Último Desejo

Talvez o auge do Inplastika foi o convite que recebemos pra participar do Especial de Aniversário dos 70 anos da morte do Noel Rosa. Nem sei como chegaram até nós confesso que antes disso unca tinha ouvido esse grande poeta brasileiro.
Por um lado isso foi bom porque sentimos liberdade de mexer completamente com a estrutura das músicas. O desafio: produzir versões de Último Desejo e do clássico Fita Amarela. A segunda não gravamos em estúdio, prometo tentarachar alguma performance ao vivo dela no youtube, mas o sambinha Último Desejo virou uma balada folk mais ou menos assim...

Palhaço


Sapatos largos, maquiagem
Pra onde ele vai?
Roupas coloridas e sorriso desenhado
O circo partiu e deixou o palhaço pra trás
Com o espírito quebrado dos animais enjaulados
Pra lhe assombrar
Não há tendas nem carros
E agora ele vai ter que aprender a se equilibrar
Com a vontade em uma das mãos e na outra o coração
Entre homens que cospem fogo e enganam o povo
Ele vai ter que andar
Porque o circo se foi e aqui desse lado as pessoas
Explodem sem usar canhões

Alucinação


*Uma das letras mais pesadas que já escrevi. Foi difícil até transcrevê-la. Todas as figuras remetem a um só sentimento. Melancolia.
É mais ou menos assim...
Sinto pensamentos e sonhos como um turbilhão
Como algo tão pequeno foi me derrubar no chão?
Escuto suas palavras, gritos. Chuva de verão
Rejeito esse sistema podre. Falsa Compreenção
Alguém me faça rir enquanto vejo meu mundo ruir
Pois o que eu vejo é um brilho lindo que me lembra
Que estou vivo mas, tão longe de você
Estou morrendo outra vez
Sinto meus braços tão pesados. Não sinto minhas mãos
Monstros correndo em meu quarto. Alucinação
Por um minuto sou menino em um mundo de ilusão
Sonhei que vi meus pais dormindo dentro de caixão
Alguém me faça rir enquanto vejo meu mundo ruir
Pois o que eu vejo é um brilho lindo que me lembra
Que estou vivo mas, tão longe de você
Estou morrendo outra vez

Me perdoe, me esqueça






* A distância pode sufocar o amor, mas não matá-lo. A saudade vira loucura e pode deixar um homem completamente desorientado. Ser guiado pela escassez e pelos instintos perturbados e pela solidão torna qualquer é algo capaz de revelar o pior de nós . É preciso ser um verdadeiro herói pra resistir ao tempo. Esse não foi meu caso.

Foi mais ou menos assim...

Você é a pessoa mais bonita que eu já vi
E olha que eu vejo muita gente andando por aí
O tempo todo
São tantos rostos que nem lembro mais de mim

Eu não gosto de falar tanto sobre mim,
Mas tanto tempo sozinho
Me deixou egoísta demais

Me salve com seus beijos
Me salve de mim mesmo
Me perdoe, me esqueça
Me conheça outra vez

quarta-feira, junho 10, 2009

Hospital


* Mais uma das antigas. Essas letras gigantes são bem da época que eu estava totalmente imerso na obra do Bob Dylan. Graças ao Alemão eu conheci a essência e isso mudou minha percepção musical e minha forma de compor, tocar, pensar e expressar meus pensamentos. Essa música nada mais é do que minha posição sobre o direito de morrer naturalmente. Aí vai mais uma opinião controversa, mas se fosse eu numa cama de hospital vivendo por aparelhos, minha vontade é uma só; puxe o plugue.
É mais ou menos assim...
Tenho muito tempo
Tem um tempo
Que eu tenho muito tempo
Quanto tempo eu tenho pra falar?
Sobre a indecisão de não ter decisão
Pra decidir se é sim ou não
Qual decisão eu vou tomar?

Conheci um homem numa cama de hospital
Ele me pediu ajuda pra fazer o seu final
E disse; "Eu já fiquei muito tempo aqui
Não é a droga de uma máquina que vai decidir
Por mim quando minha hora vai chegar
O que os meus filhos vão falar?
Como meus netos vão conhecer a minha hitória?
Então por favor tire esse computador da tomada
E me poupe do sofrimento de não ter controle sobre nada"

Tenho muito tempo
Tem um tempo
Que eu tenho muito tempo
Quanto tempo eu tenho pra falar?
Sobre a indecisão de não ter decisão
Pra decidir se é sim ou não
Qual decisão eu vou tomar?

E eu pensei; "Deus onde foi que eu me meti?
Você ta vendo o pedido que esse homem fez pra mim?
Avisa o anjo da morte que eu preciso dele aqui
Porque o safado foi tomar uma cerveja em Jacareí
E me deixou aqui pra decidir"
Meu Deus, que rolo
Eu disse; "Velho me perdoe eu não vou te ajudar
O que é que vou fazer quando seu coração parar?
Aquela coisa vai apitar e vai todo mundo vir aqui
E vão saber que Vito Escoza ajudou o velho a partir
E o velho respondeu; "Filho você faz perguntas demais
Diga apenas que ajudou o seu velho pai
Eles não podem te matar
Eles não pode te prender
Que falta faz um velho nesse mundo de vocês?"

Tenho muito tempo
Tem um tempo
Que eu tenho muito tempo
Quanto tempo eu tenho pra falar?
Sobre a indecisão de não ter decisão
Pra decidir se é sim ou não
Qual decisão eu vou tomar?

O dia não começou bem


*Essa é outra canção que eu não cheguei a terminar, porém, ela se encaixa perfeitamente bem no meu momento atual. Quanto ao pessimismo, ele ainda está por aí. Pobre de quem tem que conviver com ele, ou melhor, comigo.


Menina basta olhar pro céu
E ver que o dia não começou bem
O dia não começou bem
Mas você é o tipo de mulher
Que consegue ver um raio de sol
No mar revolto
Só quem tem os ponteiros
Acertados com Deus
Pode ver a vida assim
Eu não tenho o sol só pra mim
Mas eu tenho você
E isso já é um bom começo
Pra curar meu pessimismo

Antes dos 30



*Mais uma canção resgatada do meu baú. Vale a pena lembrar pela ousadia da letra - épica. Apesar de revelar um estilo de vida que não faz parte do meu presente. Neste caso, viva a licença poética. Sei que alguns versos são pesados, não exatamente cristãos, mas eles revelam uma porção da minha vida que não posso ignorar. Faz parte da miha história.

É mais ou menos assim...

As vezes tenho a sensação de que já vivemos tanto,
mas aí me lembro de que não chegamos nos 30
Será que vamos encontrar aos vinte e poucos
A encruzilhada de nossas vidas
Nossos corpos cresceram
Nossos passos são mais largos,
Mas não sentimos a mesma alegria
Dos tempos em que brincávamos descalços
Aprendemos novas palavras
E a desenvolver o raciocínio,
Mas não conseguimos pensar
Com clareza sobre o nosso destino
Nós temos muitos espelhos nas casas
E muitas vitrines nas ruas
Temos diferentes estilos
Para o mesmo sentimento de culpa
Precisamos encher os bolsos,
As garagens, as barrigas
Nossa satisfação é um dia
Sermos alguém na vida
Vamos olhar as plantas e os pássaros
E procurar neles algum sentido
Pra desistirmos de buscar a felicidade
E apenas continuar sorrindo
Vamos transar a noite inteira
E jurar que nos amamos
Você pode me usar,
Mas me deixe dizer
Quando e quanto
Se Deus nos convidasse pra dançar
Qual música Ele escolheria?
Se o diabo pudesse realizar seus sonhos
O que acha que ele faria?
Vamos rejeitar a capacidade
Que temos de não aceitar a vida
E seremos como as estrelas
Que brilham somente
No fundo do mar
Quantas vezes vamos perder a hora
Até descobrirmos que cinco minutos
Nunca é tempo pra nada?
Quantas vezes vamos nos precipitar
Até aprendermos a usar
Esses cinco minutos
Pra nos acalmar?
Precisamos transformar
Nossa música em poesia
Pra que a beleza das palavras
Não se perca na melodia
Vamos deixar que o nosso silêncio
Defina o som e a harmonia
Até que possamos transformar
Nossa poesia em uma sinfonia
Sobre a vida


186 passos



*Andei revisitando uma porção de canções e poesias que escrevi há muito tempo atrás, coisa de seis anos, e a maior parte ficou registrada apenas em um gravador de mão com o audio precário, mal dá pra ouvir a letra. Essa é uma dessas canções perdidas. Transcrevi o que consegui entender. Assim que bater uma inspiração eu posto o audio dela.
É mais ou menos assim...

Do balcão desse bar até meu quarto são exatamente 186 passos
E o meu estado é saber medir em quanto tempo eu estarei deitado

Só que o mais importante é onde eu deixei minhas chaves
Veja só como eu consigo simplificar a vida
Amanhã quando você ligar eu vou deixar tocar até cair em mim
Você não pode simplesmente entrar e sair da minha vida
Quando quiser

Porque toda vez você leva uma parte de mim
E deixa o seu perfume em meu carro
Eu bebo, eu fumo, eu cheiro o teu perfume
Me faz tão mal

Já me sinto tão bem e tão leve